Ele era um tanto quanto tolo e a mãe não confiava no moleque pra nada. Ela chegou a pensar em mandar ele ir na cidade vender a vaca que tinham, mas a mãe concluiu que ele era do tipo capaz de trocar uma vaca por feijões, achando que eram mágicos, como na história que todos conhecemos. Por fim, mandou o menino vender o belo cabelo comprido que tinha. Ia valer bem uns quinhentos reais numa casa de perucas, pensou a mãe, confiante no trocado que a permitiria sobreviver mais um mês. Nos tempos áureos ela recorreria às esquinas da Conselheiro Mafra, mas o tempo era impiedoso e ela já estava velha demais e não conseguia mais levantar uns cobres assim no fim do mês.
Então lá se foi o pobre do Hans num ônibus pro centro tentar negociar a venda de seu cabelo, cujas mechas finais ainda tinham aquele brilho dos cachos de bebês. Estava passando pela praça XV quando parou para fazer à figueira o pedido de conseguir uma boa grana pelos cabelos.
Um sujeito que ali lia o seu jornal, oportunista conhecido que trabalhava num gigantesco banco multinacional, ouviu tudo o que Hans dizia para a árvore e logo bolou o golpe. Se aproximou de forma gentil do menino e ofereceu que ele desse seu cabelo ao banco pela quantia 500 pilas, com a condição de que o negócio se desse no longo prazo. O menino deixaria a quantia no banco rendendo juros módicos de 9% ao ano por 60 anos, precisava pensar no futuro, preparar a aposentaria etc, etc, de forma que em 60 anos ele teria mais de 30 mil pila, ao invés de apenas 500. “Com esse dinheiro,” disse o sujeito do gigantesco banco, “você terá muito mais que o dinheiro do seu cabelo, mas o valor de uma dentadura de ouro. Você não quer trocar seu cabelo por dentes de ouro?”. A lábia matemática do retorno financeiro foi tão complicada e persuasiva, que Hans acabou aceitando e se deixando levar.
Hans chegou em casa todo satisfeito e careca, contando para a mãe da façanha que fizera e lhe garantira dentes de ouro na velhice. A mãe, chocada e irritada, amaldiçoou o filho por tal coisa e consolou-se com o fato de não ter mandado ele levar a vaca para vender.
O tempo foi passando depressa e a mãe de Hans por fim faleceu deixando ao filho o mundo de desgraças e miséria a que fora condenado. Tinha já quase setenta anos quando ia passando por um beco e quatro sujeitos lhe seguraram e o espancaram, arrebentaram todos os seus dentes e, no lugar, instalaram uma linda dentadura de ouro, saldando finalmente a dívida do banco com Hans. E viveram felizes para sempre.
08/12/2010
07/12/2010
Não é preciso um Deus para criar o Universo
'Não é preciso um Deus para criar o Universo', diz Hawking
Cientista britânico polemiza papel da religião na criação do universo em seu novo livro
MADRI - Em seu mais recente livro, "The Grand Design" (O Grande Projeto, em tradução livre), o cientista britânico Stephen Hawking, afirma que "não é preciso um Deus para criar o Universo", pois o Big Bang seria "uma consequência" de leis da Física.
"O fato de que nosso Universo pareça milagrosamente ajustado em suas leis físicas, para que possa haver vida, não seria uma demonstração conclusiva de que foi criado por Deus com a intenção de que a vida exista, mas um resultado do acaso", explicou um dos tradutores da obra, o professor de Física da Matéria Condensada David Jou, da Universidade Autônoma de Barcelona.
Há 22 anos, em seu livro "Uma Nova História do Tempo", Hawking via na racionalidade das leis cósmicas uma "mente de Deus". O cientista inglês acredita agora que as próprias leis físicas produzem universos sem necessidade de que um Deus exterior a elas "ateie fogo" às equações e faça com que suas soluções matemáticas adquiram existência material.
Assim, aquela "mente que regia nosso mundo" se perde na distância dessa multiplicidade cósmica, segundo o tradutor.
Hawking admite a existência das equações como fundamento da realidade, mas despreza se perguntar se tais equações poderiam ser obras de um Deus que as superasse e que transcendesse todos os universos.
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,nao-e-preciso-um-deus-para-criar-o-universo--diz-hawking,639475,0.htm
Cientista britânico polemiza papel da religião na criação do universo em seu novo livro
MADRI - Em seu mais recente livro, "The Grand Design" (O Grande Projeto, em tradução livre), o cientista britânico Stephen Hawking, afirma que "não é preciso um Deus para criar o Universo", pois o Big Bang seria "uma consequência" de leis da Física.
"O fato de que nosso Universo pareça milagrosamente ajustado em suas leis físicas, para que possa haver vida, não seria uma demonstração conclusiva de que foi criado por Deus com a intenção de que a vida exista, mas um resultado do acaso", explicou um dos tradutores da obra, o professor de Física da Matéria Condensada David Jou, da Universidade Autônoma de Barcelona.
Há 22 anos, em seu livro "Uma Nova História do Tempo", Hawking via na racionalidade das leis cósmicas uma "mente de Deus". O cientista inglês acredita agora que as próprias leis físicas produzem universos sem necessidade de que um Deus exterior a elas "ateie fogo" às equações e faça com que suas soluções matemáticas adquiram existência material.
Assim, aquela "mente que regia nosso mundo" se perde na distância dessa multiplicidade cósmica, segundo o tradutor.
Hawking admite a existência das equações como fundamento da realidade, mas despreza se perguntar se tais equações poderiam ser obras de um Deus que as superasse e que transcendesse todos os universos.
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,nao-e-preciso-um-deus-para-criar-o-universo--diz-hawking,639475,0.htm
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